O que é HPV ?
O vírus papilomavírus humano, HPV, é o vírus que causa verrugas comuns.
São verrugas geralmente pequenas que podem aparecer em qualquer porção do
corpo mas se encontram, mais freqüentemente, em mucosas próximas à boca,
ânus e genitais.
É uma doença sexualmente transmissível (DST) com maior incidência nos
adultos com vida sexual ativa. Existem cerca de 40 milhões de pessoas
infectadas pelo HPV, segundo estatística americanas, ou seja quase 1/5 da
população daquele país. Estima-se que no Brasil as estatísticas sejam
semelhantes.
Mais de 100 subtipos de HPV já foram identificados, sendo que
aproximadamente 30 deles são disseminados pelo contato sexual. E ainda,
certamente existe forte relação entre o contagio pelo HPV e o
desenvolvimento de neoplasias (câncer), principalmente às do colo uterino.
Assim como a grande parte das doenças sexualmente transmissíveis, o HPV
causa uma infecção silenciosa, geralmente desapercebida. O homem infectado é
um grande disseminador do vírus devido a maior freqüência de relações e
maior troca de parceiras, mas a prevalência da doença pode ser semelhante em
ambos os sexos.
Formas de apresentação
O individuo infectado pode se apresentar de três formas diferentes:
• Infecção clínica - facilmente detectada, a verruga é evidente, o chamado
condiloma é visualizado principalmente nas áreas de contato sexual.
• Infecção sub clínica - a partir de uma forte suspeita de infecção, são
feitos exames complementares, que incluem marcadores, como o ácido acético,
corantes vitais, como o azul de toluidina, e métodos de magnificação da
ótica (peniscopia no homem e colposcopia na mulher), uma vez que as lesões
não são vistas a olho nu.
• Infecção latente - não há lesão identificada, sendo diagnosticada por
técnicas de biologia molecular que identificam partículas do DNA viral.
Sabe-se ainda que a partir da inoculação, ou seja contágio pelo vírus, o
período de incubação pode variar de 2-3 semanas até 8 meses, dependendo da
capacidade imunológica do indivíduo.
Diagnóstico
O diagnóstico da infecção pelo HPV é feito por profissional habilitado sendo
baseado na história clínica do doente seguido do exame físico minucioso.
Pode ser utilizado ainda, o recurso dos métodos complementares, como a
peniscopia e a colposcopia, com biópsias, citologia (exame do raspado da
pele ou mucosa) e biologia molecular (exame de DNA).
Transmissibilidade
Esta é uma questão ainda bastante polêmica. Sabe-se que a transmissão ocorre
por contato sexual direto (áreas contaminadas em contato com áreas não
contaminadas do parceiro ou parceira). Isto não é questionado quando se
trata de infecção clinicamente manifesta (verruga visível). Todavia,
questiona-se a possibilidade de transmissão indireta (pelas roupas, em
banheiros, lençóis, etc). Como o vírus resiste pouco às condições ambientais
e não resiste às medidas normais de higiene (água e sabão) a possibilidade
de transmissão por contato indireto é considerada pouco provável.
Mais controvérsia existe quanto à transmissibilidade da infecção sub clínica
(ver acima). Acredita-se que a transmissão desta forma de infecção seja
pouco provável uma vez que existem pesquisas sugerindo que somente em 20%
dos casos em que os dois parceiros estão contaminados existe concordância
entre os tipos de HPV.
Outro aspecto polêmico refere-se à real necessidade de se tratar todos os
casos de HPV. Sabe-se que as infecções mais perigosas são aquelas produzidas
pelos chamados HPV oncogênicos (capazes de provocar câncer de colo do
útero). No entanto, a identificação do tipo de DNA do HPV não é feita de
rotina porque exige um exame muito caro e complexo.
Por outro lado, a atitude mais segura, com relação a esta polêmica, consiste
na identificação, orientação e tratamento de homens e mulheres contaminadas
ou com risco de infecção por HPV. Isto pode ser feito através de consultas
periódicas com urologistas e ginecologistas e dos exames mais simples como
peniscopia (homem) e colposcopia (mulheres).
Finalmente, a infecção latente é uma última questão onde se encontra alguma
polêmica. Geralmente, quando ela é identificada (através de um exame de DNA
do HPV), não precisa de tratamento. No entanto, não se sabe ao certo quanto
tempo uma pessoa pode ter infecção latente, antes que a mesma venha a se
reativar e se manifestar. Admite-se que possa ser durante anos. Isto
explicaria o fato de casais que são parceiros mutuamente exclusivos há
vários anos, terem uma infecção identificada após várias consultas
anteriores com diagnóstico de normalidade. Por isso, muitas vezes não é
possível afirmar a quanto tempo uma contaminação existe nem qual dos dois
parceiros adquiriu primeiro.
Tratamento
Os métodos disponíveis para o tratamento da infecção do HPV podem ser
divididos em 3 categorias:
- químicos
- cirúrgicos
- estimuladores de imunidade
A escolha do método é feita por profissional capacitado a observar várias
características infecção, entre elas, o número de lesões, tamanho,
localização, aceitação pelo paciente, estado imunológico, disponibilidade de
recursos e etc.
• Químicos Ácido tricloroacético - Desnatura as células que contém o
vírus.
5-Fluorouracil (5 FU) - Efeito anti-metabólico, interferindo na proliferação
do vírus.
Podofilina - Efeito pela ação da podofilotoxina.
Interleucina-2 - Ainda experimental.
Isoprinosine - Aumenta o poder de fagocitose, desta forma o vírus é mais bem
combatido pelo organismo.
Interferons - São parte do sistema natural de defesa do organismo.
• Imunoterapia Imiquimod - Mecanismo de ação ainda desconhecido.
Restinóides - Mecanismos múltiplos desde a alteração na proliferação da
epiderme até a diferenciação da queratina.
Vacinas - Ainda estão sendo investigadas para uso clínico.
• Cirúrgico Curetagem e Excisão - Retirada da lesão, pode ser feita
com bisturi, tesoura ou cureta.
Excisão com alça de alta freqüência - Através de um tipo especial de sonda.
Laser de CO2 - Luz amplificada dirigida até a lesão para cauterizá-la.
Cauterização elétrica - Cauterização da lesão com bisturi elétrico.
Prevenção
A única forma de prevenção da infecção pelo HPV é evitar contato direto com
o vírus. Se verrugas genitais são identificadas, o contato sexual deve ser
evitado até que tais lesões sejam tratadas. O uso do preservativo é o
método, que apesar de não ser 100% seguro pois cobre apenas uma parte dos
genitais, promove alguma proteção ao usuário assim como à sua parceira.
Pesquisadores estão desenvolvendo vacinas mas este projeto é dificultado
pela existência de vários subtipos do vírus. Entretanto esta ação é
promissora e pode, no futuro, diminuir a incidência de lesões pré-cancerosas
ocasionadas por essa epidemia silenciosa.
Fonte:
SBU: Sociedade
Brasileira de Urologia