2007 Promni® Tecnologia Médica - Todos os direitos reservados
Webmaster: Fábio Almeida

O que é HPV ?

O vírus papilomavírus humano, HPV, é o vírus que causa verrugas comuns. São verrugas geralmente pequenas que podem aparecer em qualquer porção do corpo mas se encontram, mais freqüentemente, em mucosas próximas à boca, ânus e genitais.

É uma doença sexualmente transmissível (DST) com maior incidência nos adultos com vida sexual ativa. Existem cerca de 40 milhões de pessoas infectadas pelo HPV, segundo estatística americanas, ou seja quase 1/5 da população daquele país. Estima-se que no Brasil as estatísticas sejam semelhantes.

Mais de 100 subtipos de HPV já foram identificados, sendo que aproximadamente 30 deles são disseminados pelo contato sexual. E ainda, certamente existe forte relação entre o contagio pelo HPV e o desenvolvimento de neoplasias (câncer), principalmente às do colo uterino.

Assim como a grande parte das doenças sexualmente transmissíveis, o HPV causa uma infecção silenciosa, geralmente desapercebida. O homem infectado é um grande disseminador do vírus devido a maior freqüência de relações e maior troca de parceiras, mas a prevalência da doença pode ser semelhante em ambos os sexos.

Formas de apresentação

O individuo infectado pode se apresentar de três formas diferentes:

• Infecção clínica - facilmente detectada, a verruga é evidente, o chamado condiloma é visualizado principalmente nas áreas de contato sexual.
• Infecção sub clínica - a partir de uma forte suspeita de infecção, são feitos exames complementares, que incluem marcadores, como o ácido acético, corantes vitais, como o azul de toluidina, e métodos de magnificação da ótica (peniscopia no homem e colposcopia na mulher), uma vez que as lesões não são vistas a olho nu.
• Infecção latente - não há lesão identificada, sendo diagnosticada por técnicas de biologia molecular que identificam partículas do DNA viral.

Sabe-se ainda que a partir da inoculação, ou seja contágio pelo vírus, o período de incubação pode variar de 2-3 semanas até 8 meses, dependendo da capacidade imunológica do indivíduo.

Diagnóstico

O diagnóstico da infecção pelo HPV é feito por profissional habilitado sendo baseado na história clínica do doente seguido do exame físico minucioso. Pode ser utilizado ainda, o recurso dos métodos complementares, como a peniscopia e a colposcopia, com biópsias, citologia (exame do raspado da pele ou mucosa) e biologia molecular (exame de DNA).

Transmissibilidade

Esta é uma questão ainda bastante polêmica. Sabe-se que a transmissão ocorre por contato sexual direto (áreas contaminadas em contato com áreas não contaminadas do parceiro ou parceira). Isto não é questionado quando se trata de infecção clinicamente manifesta (verruga visível). Todavia, questiona-se a possibilidade de transmissão indireta (pelas roupas, em banheiros, lençóis, etc). Como o vírus resiste pouco às condições ambientais e não resiste às medidas normais de higiene (água e sabão) a possibilidade de transmissão por contato indireto é considerada pouco provável.

Mais controvérsia existe quanto à transmissibilidade da infecção sub clínica (ver acima). Acredita-se que a transmissão desta forma de infecção seja pouco provável uma vez que existem pesquisas sugerindo que somente em 20% dos casos em que os dois parceiros estão contaminados existe concordância entre os tipos de HPV.

Outro aspecto polêmico refere-se à real necessidade de se tratar todos os casos de HPV. Sabe-se que as infecções mais perigosas são aquelas produzidas pelos chamados HPV oncogênicos (capazes de provocar câncer de colo do útero). No entanto, a identificação do tipo de DNA do HPV não é feita de rotina porque exige um exame muito caro e complexo.

Por outro lado, a atitude mais segura, com relação a esta polêmica, consiste na identificação, orientação e tratamento de homens e mulheres contaminadas ou com risco de infecção por HPV. Isto pode ser feito através de consultas periódicas com urologistas e ginecologistas e dos exames mais simples como peniscopia (homem) e colposcopia (mulheres).

Finalmente, a infecção latente é uma última questão onde se encontra alguma polêmica. Geralmente, quando ela é identificada (através de um exame de DNA do HPV), não precisa de tratamento. No entanto, não se sabe ao certo quanto tempo uma pessoa pode ter infecção latente, antes que a mesma venha a se reativar e se manifestar. Admite-se que possa ser durante anos. Isto explicaria o fato de casais que são parceiros mutuamente exclusivos há vários anos, terem uma infecção identificada após várias consultas anteriores com diagnóstico de normalidade. Por isso, muitas vezes não é possível afirmar a quanto tempo uma contaminação existe nem qual dos dois parceiros adquiriu primeiro.

Tratamento

Os métodos disponíveis para o tratamento da infecção do HPV podem ser divididos em 3 categorias:
- químicos
- cirúrgicos
- estimuladores de imunidade
 

A escolha do método é feita por profissional capacitado a observar várias características infecção, entre elas, o número de lesões, tamanho, localização, aceitação pelo paciente, estado imunológico, disponibilidade de recursos e etc.


• Químicos Ácido tricloroacético - Desnatura as células que contém o vírus.
5-Fluorouracil (5 FU) - Efeito anti-metabólico, interferindo na proliferação do vírus.
Podofilina - Efeito pela ação da podofilotoxina.
Interleucina-2 - Ainda experimental.
Isoprinosine - Aumenta o poder de fagocitose, desta forma o vírus é mais bem combatido pelo organismo.
Interferons - São parte do sistema natural de defesa do organismo.

• Imunoterapia Imiquimod - Mecanismo de ação ainda desconhecido.
Restinóides - Mecanismos múltiplos desde a alteração na proliferação da epiderme até a diferenciação da queratina.
Vacinas - Ainda estão sendo investigadas para uso clínico.

• Cirúrgico Curetagem e Excisão - Retirada da lesão, pode ser feita com bisturi, tesoura ou cureta.
Excisão com alça de alta freqüência - Através de um tipo especial de sonda.
Laser de CO2 - Luz amplificada dirigida até a lesão para cauterizá-la.
Cauterização elétrica - Cauterização da lesão com bisturi elétrico.


Prevenção

A única forma de prevenção da infecção pelo HPV é evitar contato direto com o vírus. Se verrugas genitais são identificadas, o contato sexual deve ser evitado até que tais lesões sejam tratadas. O uso do preservativo é o método, que apesar de não ser 100% seguro pois cobre apenas uma parte dos genitais, promove alguma proteção ao usuário assim como à sua parceira.

Pesquisadores estão desenvolvendo vacinas mas este projeto é dificultado pela existência de vários subtipos do vírus. Entretanto esta ação é promissora e pode, no futuro, diminuir a incidência de lesões pré-cancerosas ocasionadas por essa epidemia silenciosa.
 

Fonte: SBU: Sociedade Brasileira de Urologia